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DA QUARESMA À PÁSCOA

Queridos Diocesanos,


       Com toda a Igreja caminhamos na Quaresma, rumo à Páscoa, dedicados mais intensamente à oração, ao jejum e à misericórdia, como nos recorda o evangelho da Quarta-Feira de Cinzas.

       São Pedro Crisólogo, um bispo do século IV, faz uma profunda reflexão sobre estas atitudes que a Igreja medita na terça-feira da terceira semana da Quaresma, rezando o Ofício das Leituras na Liturgia das Horas:

       “Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

       O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às suplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

       Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

       Sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeça dos outros com generosidade e presteza.

       Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.

       Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (Sl 50,19).

       Oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.

       Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.

       Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os seus celeiros. Portanto, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás”.

       Tenhamos estas atitudes não somente na Quaresma, mas durante todo o ano.

       Assim, poderemos celebrar a Páscoa com Cristo Ressuscitado, ressuscitando também nós, novas criaturas, renovados, transformados, procurando as coisas do alto e vida nova em Cristo, não servindo mais ao dinheiro, e suplicando com toda a Igreja:

Jesus, perene Páscoa, / a todos alegrai-nos.
Nascidos para a vida, / da morte libertai-nos.

Feliz Páscoa e proclamemos com a vida:
O Senhor ressurgiu realmente! Aleluia!

Dom José González Alonso
Bispo Diocesano




RECORDANDO

       Estimados Diocesanos,

       Com alegria e esperança recordamos a “Visita ad Limina Apostolorum”, assim chamada a visita que todos os Bispos do mundo fazemos a Roma, aos túmulos dos Apóstolos e ao Papa, a cada cinco anos, para testemunhar nossa comunhão com a Igreja de Roma e com o Papa, que nos confirma na fé apostólica.
       Inesquecível a audiência pessoal com o Papa Bento XVI, no dia 14 de setembro/2009, quando falamos de nossa Diocese, as prioridades pastorais, as semanas missionárias, a família, as vocações, a catequese e os problemas sócio-econômicos da nossa região. Recebendo a bênção apostólica para cada diocesano. Comovente, também, a audiência geral com todos os Bispos do Regional NE-2, quando recebemos a mensagem, de tanta repercussão na Igreja, sobre o sacerdócio ministerial e o sacerdócio comum e o convite para despertar novas vocações sacerdotais, e a célebre frase: “é necessário evitar a secularização dos sacerdotes e a clericalização dos leigos”.
       Depois de dez dias em Roma, onde celebramos nas diferentes Basílicas e visitamos várias Congregações e Conselhos Pontifícios, encerramos a visita “ad limina” renovados na fé e alegres por viver a comunhão apostólica com o Bispo de Roma e seus colaboradores.
       Tínhamos programado também uma breve peregrinação seguindo os passos de São Paulo Apóstolo, para celebrar o Ano Paulino e renovar nosso ardor missionário. Assim visitamos, celebramos e rezamos em Damasco, lugar de sua conversão-iluminação. Na atual Turquia, principalmente em Éfeso, celebrando na casa de Maria; e na Grécia, visitando a Acrópole, o areópago e Corinto. Em todos os lugares paulinos rezamos pos nossa Diocese, para que seja cada vez mais discípula e missionária do Senhor, como São Paulo.
       Não podemos deixar de recordar as semanas missionárias celebradas em todas as paróquias de nossa Diocese, e agradecer aos padres e aos missionários, religiosos e leigos pelo empenho, dedicação e ardor missionário. O fruto pertence a Deus!        Celebremos em todas as paróquias o 4º Retiro Missionário, a exemplo do diocesano. E que o “Manual Missionário” mantenha viva a chama de cada missionário.
       Agradeçamos a Deus todas as graças recebidas durante este ano e peçamos suas bênçãos de vida e luz, amor e bem, para cada dia do próximo ano. Amém!

Dom José González Alonso
Bispo Diocesano



ANO SACERDOTAL

Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote.


       Desde o dia 19 de junho, festa do Coração de Jesus e dia de oração pela santificação dos Padres, estamos vivendo o Ano Sacerdotal, aberto solenemente pelo Papa, com as vésperas da festa, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, diante das relíquias do Cura D’Ars, São João Maria Vianney, Padroeiro dos Párocos, agora também proclamado Padroeiro de todos os Sacerdotes, por ocasião dos 150 anos de sua morte.
       O objetivo deste Ano Sacerdotal é, segundo expressou o próprio Papa aos membros da Congregação para o Clero, “ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea e a necessidade de potenciar a formação inicial e permanente dos sacerdotes”: e assim “favorecer o desejo dos sacerdotes para a perfeição espiritual e santidade de vida da qual depende a eficácia de seu ministério”.
       Tem como tema: Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote. Segundo a Congregação para o Clero, “todos queremos empenhar-nos com determinação, profundidade e fervor, a fim de que seja um ano amplamente celebrado em todo o mundo, nas dioceses, nas paróquias, em cada comunidade local, com envolvimento caloroso do nosso povo católico que, sem dúvida, ama seus padres e os quer ver felizes, santos e alegres no trabalho apostólico quotidiano”.
       E continua a carta de Dom Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero: “Deverá ser um ano positivo e propositivo, em que a Igreja quer dizer antes de tudo aos sacerdotes, mas também a todos os cristãos, à sociedade mundial, através dos meios de comunicação global, que ela se orgulha de seus sacerdotes, os ama, os venera, os admira e reconhece com gratidão seu trabalho pastoral e seu testemunho de vida. Realmente os sacerdotes são importantes não só pelo que fazem, mas também pelo que são”. Reconhecemos também as sombras que envolvem alguns deles; sejam justamente tratados e os ajudemos a superá-las.
       Muitos atos serão celebrados em todos os níveis. Procuremos participar, mas, sobretudo, que seja “um ano de oração dos sacerdotes, com eles e por eles, um ano de renovação da espiritualidade do presbitério e de cada presbítero. Seja um ano de celebrações religiosas e públicas, que levem o povo e as comunidades católicas locais a rezar, a meditar, a festejar e a prestar uma justa homenagem a seus sacerdotes”.
       Na nossa Diocese formamos uma Comissão que nos ajudará a celebrá-lo frutuosamente.
       A Santa Sé concede o dom de Sagradas Indulgências a todos os que fizerem particulares exercícios de piedade durante este Ano Sacerdotal, tanto aos sacerdotes como aos fiéis. Diz o Decreto, depois de falar das indulgências aos sacerdotes: “A todos os fiéis verdadeiramente arrependidos que, na igreja ou capelas, assistirem devotamente ao divino Sacrifício da Missa e oferecerem, pelos sacerdotes da Igreja, orações a Jesus Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, e qualquer obra boa realizada naquele dia, a fim de os santificar e plasmar segundo o Seu coração, concede-se a Indulgência Plenária, contanto que tenham expiado os próprios pecados com a penitência sacramental e elevado orações segundo as intenções do Sumo Pontífice: nos dias em que se abre e se encerra o Ano Sacerdotal, no dia do 150º aniversário do trânsito piedoso de São João Maria Vianney (04 de agosto), na primeira quinta-feira do mês ou em qualquer outro dia estabelecido pelos Bispos Diocesanos, para a utilidade dos fiéis”. Na nossa Diocese propomos também a primeira sexta-feira de cada mês.
       Continua o Decreto: “Aos idosos, doentes e a todos os que por motivos legítimos não puderem sair de casa, com o ânimo desapegado de qualquer pecado e com a intenção de cumprir, assim que possível, as três condições de costume, na própria casa ou onde estiverem a viver, concede-se de igual modo a Indulgência Plenária se, nos dias acima determinados, recitarem orações pela santificação dos sacerdotes e oferecerem a Deus com confiança as doenças e as dificuldades da sua vida, por intermédio de Maria, Rainha dos Apóstolos”.
       Enfim, “concede-se a Indulgência Parcial a todos os fiéis, todas as vezes que recitarem devotamente cinco Pai-Nossos, Ave-Marias e Glórias, ou outra oração devidamente aprovada, em honra do Sacratíssimo Coração de Jesus, a fim de obter que os sacerdotes se conservem em pureza e santidade de vida”.
       Esperamos, assim, celebrar com muito fruto, tanto para os padres como para aos fiéis, este Ano Sacerdotal.

Dom José González Alonso
Bispo Diocesano




Amados presbíteros do Brasil,

       “Dou graças ao meu Deus, cada vez que me lembro de vós nas minhas orações por cada um de vós. É com alegria que faço minha oração, por causa da vossa comunhão no anúncio do evangelho...” (Fl 1,3-5a).
       Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, dia de oração pela santificação do clero, por ocasião da abertura do Ano Sacerdotal, convocado por S. Santidade o Papa Bento XVI, nós Bispos do Brasil, queremos manifestar nossa profunda gratidão a todos os presbíteros que diuturnamente se colocam a serviço do Povo de Deus.
       Não obstante as fragilidades, reconhecemos o grande dom de Deus na vida e no ministério dos presbíteros do Brasil. Fazemos nossas as palavras do Cardeal Cláudio Hummes no 12º Encontro Nacional de Presbíteros: “de modo geral, são homens dignos, bons, homens de Deus, admiráveis, generosos, honestos, incansáveis na doação de todas as suas energias ao seu ministério, à evangelização, em favor do povo especialmente a serviço dos pobres e dos marginalizados, dos excluídos e dos injustiçados, dos desesperados e sofridos de todo tipo, deles nos orgulhamos, os veneramos e amamos realmente, com claro reconhecimento do trabalho pastoral que realizam”.
       Neste Ano Sacerdotal, que se estende de 19 de junho de 2009 a 19 de junho de 2010, desejamos que seja dinamizada a Pastoral Presbiteral, a fim de que venha a ser verdadeiro instrumento de comunhão entre os presbíteros, auxiliando-os nas mais diversas circunstâncias. Para tal sugerimos as indicações, divulgadas pela CNBB, para o Ano Sacerdotal.
       O Ano Sacerdotal seja espaço para intensificar e promover a santificação dos sacerdotes e ajudá-los a perceberem cada vez mais a importância do seu papel e de sua missão na Igreja e na sociedade contemporânea.
       Ao celebrarmos os 150 anos da morte de São João Batista Maria Vianney, o Santo Cura D’Ars, invocamos sua proteção e inspiração para a vivência do tema do Ano Sacerdotal “fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”.

Dom José González Alonso
Bispo Diocesano de Cajazeiras




OS 50 DIAS DA PÁSCOA

       O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia!
       Estamos vivendo a Páscoa do Senhor e também a nossa, na vida nova dos ressuscitados com Cristo.
       A liturgia deste tempo, com suas leituras apropriadas, nos ajuda a viver esta vida nova de discípulos missionários, como São Paulo.
       No Quarto Domingo da Páscoa, celebrando o Domingo do Bom Pastor, rezamos especialmente pelas vocações sacerdotais, para que tenhamos sacerdotes segundo o coração de Cristo.
       Continuemos rezando e nos preparando para o Ano Sacerdotal, por ocasião dos 150 anos da morte do Santo Cura D'Ars, São João Maria Vianney, que será aberto na festa do Coração de Jesus, em junho/2009, com o tema Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote. Já teremos oportunidade de falar sobre este tema.
       Na festa da Ascensão do Senhor, neste ano dia 24 de maio, celebramos também o Dia Mundial das Comunicações Sociais com o tema "Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade". O Papa fez mensagem especial para este dia. Na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, procuremos rezar por esta finalidade, especialmente, na oração dos fiéis, orientados pelas palavras do profeta Ezequiel: "unidos na tua mão”.
       Preparemo-nos, também intensamente, para a festa de Pentecostes e o celebremos solenemente.
       Também neste tempo pascal, nos dias 23 e 24 de maio, realizar-se-á a Peregrinação Nacional ao Santuário de Aparecida, em favor da Família, com o tema "Família discípula missionária a serviço da vida". Rezemos pelo êxito deste encontro.
       E coincidindo com todo o tempo pascal, o mês de maio, quando o povo manifesta seu amor e devoção à Mãe de Jesus.
       Que Maria de todos os nomes, a primeira discípula missionária, nos leve a Jesus, o Ressuscitado, vivo entre nós. E com ela e toda a Igreja celebremos o Pentecostes, culminância dos 50 dias da Páscoa.

Dom José González Alonso
Bispo Diocesano




NOTA DA DIOCESE DE CAJAZEIRAS SOBRE NOTÍCIAS ENVOLVENDO O PADRE DUARTE, DE SANTARÉM-PB

Tomando conhecimento pelos meios de comunicação social, através da Rádio Difusora de Cajazeiras, nos dias 08 e 09 de maio/2009, e pela internet, de fatos envolvendo moralmente um padre residente na nossa Diocese, queremos esclarecer o seguinte:

1 - Qualquer notícia envolvendo a vida moral de qualquer padre nos dói profundamente, mostra a parte humana e pecadora dos membros da Igreja, sem tirar sua origem divina e santa ("igreja santa e pecadora") e nos provoca a todos, que temos fé, a rezar pelos pecadores e pela santificação dos padres. Reprovamos tais fatos e, neste caso concreto, pedimos perdão como Igreja pelo escândalo provocado;

2 - Ao noticiar o envolvimento do "Padre de Santarém", esclarecemos que não se trata do vigário da paróquia, nomeado pela Diocese, mas do Padre Duarte, residente na referida cidade;

3 - Padre Duarte não faz parte do Clero da Diocese de Cajazeiras. Foi ordenado padre em outra Diocese, onde continua "incardinado". Há dez anos não tem o exercício do ministério sacerdotal (apenas licença para celebrar privadamente na capela de sua residência) e não participa das atividades eclesiais de nossa Diocese. Reside em Santarém, sua terra natal, cidade da qual se considera o fundador, e onde se dedica a atividades sociais e políticas. Esperamos que ele explique os fatos que o envolvem;

4 - Confiamos que os meios de comunicação social tratem estes casos informando a realidade dos fatos e respeitando as pessoas e instituições envolvidas.

Que Deus nos ilumine a todos!

Cajazeiras, 10 de maio de 2009

Dom José González Alonso
Bispo Diocesano

Pe. Agripino Ferreira de Assis
Vigário Geral da Diocese

Pe. Janilson Rolim Verissimo
Coordenador da Pastoral da Comunicação






ACOLHER JESUS

       Tudo nos fala do Natal: as luzes, a árvore, a estrela, o presépio, os presentes e até o Papai Noel.
A liturgia de Advento também nos fala do Natal que se aproxima, e nos prepara para acolher Jesus que veio, que voltará e que vem constantemente; por isso devemos estar vigilantes, de olhos abertos, e preparados para reconhecê-lo e acolhê-lo. Acolhê-lo e anunciar esta boa notícia aos outros: evangelizar.
       Por isso “a Igreja no Brasil promove neste tempo de Advento a Campanha para a Evangelização, com o apelo para um gesto concreto de partilha, a ser feito no terceiro domingo do Advento”, ou noutro dia mais apropriado.
       Este ano a Campanha para a Evangelização tem com lema “Acolhamos o Príncipe da Paz”, em sintonia com a próxima Campanha da Fraternidade que nos recordará que “A paz é fruto da justiça”, e a próxima Campanha Missionária, cujo lema será “A missão a serviço da paz e da justiça”. “Desta forma iniciamos o ano litúrgico acolhendo e anunciando Aquele que veio habitar entre nós” (Jo 1,14).
       Em novembro passado tive a graça de passar uma semana nos lugares históricos onde Jesus nasceu, viveu, pregou, morreu e ressuscitou: Terra Santa. Em Belém beijei a estrela que indica o lugar onde Jesus nasceu. Rezei e meditei. Assim nasceu, também, minha mensagem de natal para todos:




VIDA PARA TODOS OS POVOS

       Quantas vezes temos ouvido, sobretudo nos últimos tempos e, particularmente, depois do Concílio Vaticano II e da Exortação Apostólica sobre a Evangelização do Mundo Contemporâneo, de Paulo VI, a Evangelii Nuntiandi: “A Igreja ou é missionária ou não é a Igreja de Jesus Cristo”. “A missão da Igreja é evangelizar”. “Todos discípulos missionários”. “Santas Missões Populares”.
       Já o Papa Pio XI, instituindo o Dia Mundial das Missões em 1926, quis intensificar em toda a Igreja e em todas as igrejas o ardor missionário para além de suas fronteiras.
       Outubro, o mês missionário, com o Dia Mundial das Missões no penúltimo domingo, nos ajuda a não perder o elã missionário, a rezar para que “o dono da messe mande operários para sua messe”, a lutar para que todos os povos tenham vida. Também nos comprometemos a colaborar com nossa oferta na coleta do dia Mundial das Missões.
       O tema “Vida para todos os povos” revive a Campanha da Fraternidade deste ano, Escolhe, pois, a vida, e prolonga o II Congresso Missionário Nacional, realizado em Aparecida, de 01 a 04 de maio: do Brasil de batizados ao Brasil de discípulos-missionários sem-fronteiras, com o lema Igreja no Brasil: escuta, segue e anuncia.
       Em nossa Diocese, de 19 a 24, temos a Semana Missiológica, organizada pelo Projeto Missionário e o COMIDI, com reflexões sobre: Religião e missão ao serviço da vida; Vida para todos os povos; Vida e viagens missionárias de São Paulo, e a Mensagem do Papa para o Dia Mundial das Missões.
       Rezemos também pelo Sínodo dos Bispos que acontece em Roma, do 05 ao 26, com o tema “A Palavra de Deus na vida e missão da Igreja”, para que a Palavra de Deus seja vida para todos os povos.
Dom José González Alonso
Bispo de Cajazeiras





Semana Nacional da Vida

       A CNBB propõe a celebração da Semana da Vida que vai de 01 a 07 de outubro, já que o dia 08 é o Dia do Nascituro. O enfoque é a vida humana desde seu início na fecundação até seu fim natural. Os dois estágios mais frágeis da vida são os mais atacados: a vida do embrião no útero materno e a vida do idoso, especialmente, do idoso doente.
       O Papa João Paulo II escreveu uma carta chamada "Evangelho da Vida" e agora o Vaticano publicou o Dicionário (Lexicon) sobre a família, a vida e questões éticas. Estes escritos, fundamentados na Bíblia, são um grito a favor da vida. A pastoral da criança, do Menor, da Juventude, são opções em favor da vida digna.
       A Vª. Conferência realizada em Aparecida no mês de maio de 2007 foi uma clara opção pela vida e a Campanha da Fraternidade de 2008 teve como lema "escolhe a vida". Os caminhos de morte são muitos, mas nós escolhemos a vida. Daí a luta pela ecologia, pelos pobres, pela inclusão social, pelos mandamentos do motorista, o mutirão de combate à fome, tudo é uma sinfonia em favor da vida. Como não defender a dignidade, a humanidade, a originalidade do embrião, do feto, do nascituro? Neste mutirão pela vida está o cuidado e atenção para com as gestantes e a educação para o amor convocando namorados, noivos e casais a serem promotores da vida."Que os lares sejam ninhos da vida" (Bento XVI) e que a vida seja acolhida, amada e respeitada nas famílias, na sociedade.
       Cristo faz a vida livre, bela e grande e o reino de Deus é reino de vida. Somos chamados a ser profetas da vida, porque o projeto salvífico de Deus é um projeto de vida. O mandamento "não matarás" (Ex 20,13) é revelação da vontade divina e expressão da lei inscrita na natureza humana. O direito à vida precede quaisquer outros direitos. Todas as culturas reconhecem o valor inviolável da vida.
       Muitas são as violações da vida como o uso de células embrionárias para pesquisa, o abortamento, a pílula do dia seguinte, métodos anticoncepcionais abortivos, a prática da eutanásia. Não podemos resolver problemas e às vezes até desordens morais praticando uma injustiça maior.
Vida sim, violência não. A prática do aborto é uma violência que desrespeita o instinto materno, os direitos do embrião, o direito à vida, o direito de nascer, nós que lutamos a favor até dos animais e da ecologia. Enfim, nossa Constituição Federal considera a vida como o valor mais importante a ser protegido pelo Estado.
       A misericórdia divina de que tanto necessitamos deve fazer-nos misericordiosos com a vida intra-uterina e com a criação de institutos de defesa, apoio, proteção e assistência às gestantes. A crise ética de nossos tempos se expressa hoje na violência contra a vida e na exploração do embrião humano. Nada justifica a supressão deliberada de um ser inocente. Escolhamos a vida, os caminhos da vida, a cultura da vida e a civilização do amor.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina
Presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família




       Aproximando-se as Eleições 2008, recordamos a todos nossos diocesanos e às pessoas de boa vontade a Declaração da CNBB sobre as ELEIÇÕES 2008.

Declaração da CNBB

       Nós, Bispos da Igreja Católica no Brasil, reunidos na 46ª Assembléia Geral da CNBB, de 02 a 11 de abril de 2008, em Itaici, Indaiatuba, SP, queremos contribuir, como em pleitos anteriores, com as eleições de 05 de outubro, quando escolheremos o prefeito/a e os vereadores/as dos nossos municípios.
       Os cidadãos e as comunidades eclesiais têm aí um amplo campo de atuação. A tradição da Doutrina Social da Igreja considera a participação na política uma forma elevada do exercício da caridade - uma maneira exigente de viver o compromisso cristão a serviço do próximo.
       A afirmação do Poder local ganha espaço específico no mundo globalizado. Urge criar, no âmbito municipal, estruturas que consolidem uma autêntica convivência humana, promovendo os cidadãos como reais sujeitos políticos. No município, a política pode atender às necessidades concretas da população: saúde, educação, segurança, transporte, moradia, saneamento básico e outras. O Poder local tem sido ainda mais valorizado através das Redes Intermunicipais pelo intercâmbio de experiências – sinais de esperança no mundo planetário.
       O voto depositado na urna exige dos eleitores/as e dos eleitos/as um compromisso com a consolidação da democracia. Os eleitos/as são chamados a concretizar a mística do serviço, na esperança e na perseverança, construindo um mandato coletivo, em busca do bem comum, com a garantia de continuar os projetos positivos da administração anterior. Os eleitores/as são convidados a acompanhar os eleitos/as no cumprimento de sua missão e a valorizar os que atuam com critérios éticos.
       A cultura da corrupção perpassa as malhas da nossa história política. A corrupção pessoal e estrutural convive com o atual sistema político brasileiro e vem associada à estrutura econômica que acentua e legitima as desigualdades. É relevante e urgente aplicar com empenho a Lei 9.840, em decorrência da qual já foram cassadas em torno de 600 pessoas. Esta lei ajuda a assegurar a lisura das eleições na campanha eleitoral. Para tanto, queremos valorizar os Comitês contra a corrupção eleitoral. Também apoiamos o Projeto de Lei de iniciativa popular, complemento à Lei 9.840, proibindo candidatura de quem já foi condenado em primeira instância.
       A formação política para o cumprimento da missão de prefeito/a e vereador/a exige que a ética seja o farol que oriente os quatro anos de mandato, num contínuo diálogo entre o Poder local e suas comunidades. Estamos todos em processo de contínua educação para a cidadania e o exercício do voto é um dos instrumentos eficazes para as mudanças necessárias para o País.
       A Igreja tem como tarefa iluminar as consciências dos cidadãos, despertando as forças espirituais e promovendo os valores sociais, através da pregação e do testemunho. A encíclica Deus Caritas est, retomada no Documento de Aparecida, exorta os cristãos leigos/as a assumir compromisso na política, também partidária. Não corresponde aos Pastores esta tarefa.
       Convidamos nossas comunidades a realizar debates e reflexões sobre os programas dos partidos, além das qualidades dos candidatos.
       Propomos critérios para a votação: respeito ao pluralismo cultural e religioso; comportamento ético dos candidatos/as; e defesa da vida, da família e da liberdade de iniciativa no campo da educação, da saúde e da ação social, em parceria com as organizações comunitárias. Consideramos qualidades imprescindíveis para os candidatos/as: honestidade, competência, transparência, vontade de servir ao bem comum, comprovada por seu histórico de vida. Para tanto, reafirmamos o Documento de Aparecida ao “apoiar a participação da sociedade civil para reorientação e conseqüente reabilitação ética da política” (n. 406).
       Que o Espírito de Deus nos acompanhe na tarefa de ajudar a tornar mais humanos e justos os nossos municípios!


Itaici, Indaiatuba-SP, 9 de abril de 2008


AGOSTO, MÊS ABENÇOADO

       Agosto não tem boa fama entre os supersticiosos, tanto é que é chamado o mês do desgosto.
       Para os cristãos, porém, será um mês abençoado, se vivenciarmos tudo o que nele celebramos. É o mês vocacional, que este ano tem como tema Família de Deus: todos chamados à vida e à missão. Somos todos convocados para refletir e celebrar a missão na vida da família, da comunidade e da sociedade. Assim, a primeira semana deste mês será dedicada à vocação para os ministérios ordenados, do Padre; a segunda semana, à vocação para a vida em família, semana da família; a terceira, à vocação para a vida consagrada, os religiosos; e a última semana do mês, à vocação para os ministérios e serviços dos leigos na comunidade e na sociedade, especialmente a vocação do catequista.
A nossa Diocese, através da Comissão de Vocações e Ministérios, preparou um subsídio e cartazes, para ajudar-nos a celebrar este mês.
       Recordamos que 31 de agosto é o dia da Coleta Diocesana em prol das Vocações Sacerdotais. Seja generoso.
       Agosto é também o mês de grandes santos: dia 01: Santo Afonso Maria de Ligório, que abandonando a advocacia se torna padre e bispo, doutor em Moral, e fundador dos Redentoristas; dia 04: São João Maria Vianney, o Cura D’Ars, Padroeiro dos Padres. São Caetano, exemplo de dedicação aos doentes, dia 07, e o grande São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores, os Dominicanos, dia 08. E os mártires modernos: Edith Steim, a carmelita judia Teresa Benedita da Cruz, dia 09, e o 14, São Maximiliano Maria Kolbe, franciscano, mortos num campo de concentração nazista. Como não recordar Santa Clara de Assis, a namorada da pobreza, dia 11, e Santa Rosa de Lima, dia 23, a primeira santa do continente americano! Também veneramos São Bernardo, pai e mestre dos monges cistercienses, apaixonado por Nossa Senhora, dia 20; e o grande convertido Santo Agostinho, dia 28, com sua mãe Santa Mônica, dia 27.
       Agosto é o mês do nosso Co-Padroeiro São Pio X, dia 21; do Apóstolo Bartolomeu, o 24, e do martírio de São João Batista, dia 29.
       Mas, sobretudo, agosto é mês mariano, com a festa da Assunção de Nossa Senhora, dia 15, Padroeira do nosso Seminário, e de Nossa Senhora das Neves, Padroeira da Arquidiocese e do Estado da Paraíba, dia 05, e ainda o dia 22, com o título de Santa Maria Rainha.

Assim, agosto é um mês abençoado e de graças, não de desgosto!

Dom José González Alonso
Bispo de Cajazeiras


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